quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Editorial: do dia 29 dezembro de 2011


Por pouco
Nas nossas vidas quando um objetivo que perseguimos quase é alcançado afirmamos que ele “bateu na trave”.  Trata-se de uma expressão oriunda do futebol e remete a uma suposta oportunidade de fazer um gol, que ficou no quase. Passou perto, quase conseguimos, foi por pouco, etc. Quem nunca teve essa sensação de que o que almejava, por muito pouco não foi conseguido. Isso pode ter um efeito duplo: Ou a pessoa desanima, ou se sente estimulada para uma nova tentativa. Há de se convir que ninguém nesse mundo tem uma trajetória só de sucesso. Os fracassos também fazem parte da caminhada, e, a depender do ângulo de análise, são as peças que faltam para que o sucesso seja alcançado. Vejamos, quando não temos sucesso nas nossas empreitadas, subentende-se que nos tornamos mais maduros para que em uma próxima tentativa não mais cometamos o mesmo erro, e, finalmente, tenhamos êxito naquilo que estamos labutando. Mas, quando as tentativas ficam só no quase, inúmeras vezes, é indício de que algo está errado. Essa lógica se aplica tanto ao micro quanto o macro.
Se essa situação já é lamentável quando ela acomete as pessoas em suas individualidades, a coisa tende a piorar se o problema aflige a coletividade. Vejamos, das nossas vidas somos nós os responsáveis absolutos. Mas os rumos das sociedades não necessariamente apenas nós que decidimos. Elegemos pessoas para isso, crendo que elas estejam aptas a nos representar politicamente, e agir para que benefícios sejam alcançados. O que não quer dizer que devamos nos abster e ficarmos de braços cruzados vendo o bonde da história passar. Muito pelo contrário, a nossa organização há de ser deveras importante para fazermos do meio social ao qual vivemos, um tanto quanto melhor. Mas, se não somos geridos por pessoas competentes, as coisas tenderão a estagnar. Ou, como citamos, ficar sempre no quase.
Em determinadas situações temos a nítida impressão de que a nossa cidade é a terra do quase. Por aqui as coisas positivas quase sempre “batem na trave”. E assim a vida é levada flertando profundamente com a apatia. Nada acontece, ninguém reclama, nos preocupamos com coisas sem importância e age-se apenas para atender a demanda egoísta de cada um. É óbvio que não se trata de uma regra. Aliás, a única regra existente por aqui é a do quase. Quase temos um comércio que nos atende satisfatoriamente, quase somos uma cidade turística, quase elegemos pessoas competentes, quase driblamos a crise que quase nos fez ruir. E segue o jogo até segunda ordem. Ou quase.

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