segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Editorial: do dia 03 dezembro de 2011


Sujeiras diversificadas


“A situação está limpa”. Usamos tal expressão quando queremos afirmar que as coisas andam muito bem, sem nenhum empecilho à vista. Por outro lado, quando popularmente se diz que a situação é sujeira, o sentido é justamente o contrário. Nesse aspecto, a sujeira em questão se relaciona com possíveis problemas que por ventura se manifestarão. Vejamos, metáforas à parte, quem em sã consciência não deseja viver em um ambiente limpo, constantemente higienizado, livre de toda e qualquer sujeira que possa existir? Cremos que ninguém. Mesmo que a pessoa não tenha tempo nem predisposição para, com as próprias mãos, manter o local em que vive sempre limpo, ela tenderá a destacar alguém para essa nobre missão. Afinal de contas, no meio da sujeira ninguém almeja viver. Mas, vale ressaltar, esse é um sentimento que muitos reservam apenas para os seus lares, porque, nas ruas, parece que pouco importa se o lixo será jogado no chão, se alguns locais públicos mais se assemelham com espécies de lixões, etc. Eis a questão.
Em relação à Ilhéus, infelizmente somos obrigados a afirmar que vivemos em uma cidade suja. Outro dia ouvimos um comentário de uma pessoa que esteve aqui há cerca de 10 anos e que recentemente retornou à cidade: “Nossa, antigamente essa cidade era mais limpa, hoje parece que está abandonada”. Sem dúvidas não precisamos andar muito para concordamos com o citado cidadão. Isso não quer dizer que essa situação reflita os hábitos higiênicos da maioria a população. O que também não deixa de denunciar uma certa e evidente culpabilidade da própria sociedade. Há de se convir que a questão do lixo é um dos grandes desafios da humanidade para os próximos anos. E, pelo menos nesse aspecto demos um grande passo, ao começarmos algo que a cada dia vem sendo consolidado mundo a fora: a seleta coletiva. Só mesmo o Tempo para nos dizer se a iniciativa de fato veio a ser válida, ou, mais uma vez, não passou de mera falácia.
Mas mesmo assim, cremos nós, que tal iniciativa apenas atenuará uma das facetas do problema da sujeira. Outras, um tanto quanto graves, seguem se sucedendo, sem o menor sinal de que serão solucionadas. Um bom exemplo é o fétido esgoto que segue sendo despejado sem nenhum tratamento nos rios e praias. Além de uma alternativa muito usual, devido a ausência de saneamento: as fossas sanitárias. Tais, para quem não sabem, contaminam em muitos casos os nossos lençóis freáticos, e com isso, a água que brota das nascentes já vem com coliformes fecais. É sujeira das brabas. Bota sujeira nisso. Tão sinistra que ninguém costuma abordar muito esse problema. Até quando é que não sabemos. Estamos de olho.

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