quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Editorial: do dia 15 dezembro de 2011


O bom exemplo


Costumamos afirmar que investir na cultura é uma das formas mais eficazes de combater a violência. É óbvio que não estamos preconizando que a presença de um forte e preparado policiamento nas ruas não seja necessário.  São duas coisas distintas. A investigação e a repressão policial combate o crime já consolidado, constituído, já enraizado. Já, o investimento na cultura ajuda a exterminar o mal em sua raiz, ainda nos processos de formação. O resultado é lento, porém eficaz. A cultura ajuda a suscitar valores nas pessoas que estão cada vez mais em desuso.  Principalmente se essas pessoas em questão forem as nossas crianças, imersas em um cotidiano violento, sem muitas perspectivas e que o tráfico de drogas e outras práticas marginais seduzem bastante. É claro que o problema da violência é algo deveras complexo e com raízes históricas profundas. Mas, é fato também que os métodos repressivos apenas combatem um lado da moeda. São necessários, mas muitas vezes parecem que estamos, metaforicamente falando, combatendo a dengue objetivando exterminar apenas os mosquitos. Ou, como se diz popularmente, enxugando gelo.
Mas há algo de positivo nessa questão. Desde que a atual gestão estadual assumiu o comando do palácio de Ondina, as políticas públicas voltadas para a cultura ganharam proporções bem mais abrangentes e democráticas. Parou-se de privilegiar apenas algumas figurinhas carimbadas da capital, e o interior passou a ter acesso a financiamentos e recursos para tocarem projetos de variados perfis, desde a música, passando pelo teatro, flertando com a literatura, artes visuais, etc. É, literalmente, a cultura em movimento. Criando referências, tocando corações, revelando talentos e, como afirmamos, resgatando valores em desuso. Mas, apesar dos pesares, apesar dos avanços, vemos que as políticas envolvendo a cultura por aqui no município deveriam evoluir o tanto quanto evoluiu a nível estadual. Disso não temos dúvidas.
       Vale ressaltar que quando afirmamos isso não é nada pessoal contra os nomes que estão no comando da cultura municipal. Muito pelo contrário. São apenas críticas técnicas. Críticas de como as coisas estão sendo tocadas, se é que estão. Ficamos a nos questionar, que espécie de política pública municipal vem sendo colocada em prática visando oferecer oportunidades culturais aos muitos jovens residentes nas periferias? Pelo que nos consta, de fato existem ações sendo desenvolvidas, mas que ao nosso ver, e de especialistas na área, se enquadrariam mais no perfil de produtoras de eventos. O exemplo vem das instâncias estaduais do poder, basta saber absorvê-las e aplicá-las devidamente.

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