quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Editorial:


O caminho da destruição
Se há uma coisa que sempre acompanhou todas as civilizações e sociedades do nosso planeta, sem sombras de dúvidas são as drogas. Ou seja, substâncias , naturais ou químicas, que, caso ingeridas, causam efeitos diferenciados no organismo das pessoas. Vamos mais além, e afirmamos tranquilamente que, desde que o mundo é mundo as pessoas se utilizam de tais substâncias, seja para fins ritualísticos, ou de maneira profana, para celebrar a vida. Álcool, ervas naturais, chás diversos, etc. E hoje em dia as coisas não seriam diferentes. Só que, por uma séries de motivos, muitas vezes desconhecidos da grande maioria da população, umas são ditas “legais”, ou seja, produzidas e comercializadas sem maiores problemas, a exemplo das bebidas alcoólicas e cigarros, e outras tantas consideradas ilegais, a exemplo da maconha, cocaína e o crack. Mesmo que haja um suposto controle em relação à venda de bebida, na prática, ela é comercializada quase que livremente, seja para menores, ou para pessoas que estão conduzindo veículos automotivos. Ou alguém já viu dono de bar pedir a carteira de identidade de alguém que desconfie não ter idade para ingerir álcool? Sem falar que a tal Lei Seca, que teoricamente agiria no intuito de coibir a combinação volante-álcool, pelo menos aqui em Ilhéus, é notadamente de festim.
Já em relação à política adotada ante as chamadas drogas ilícitas, cremos piamente que ela deve ser repensada o quanto antes. Mesmo que exista um grande debate envolvendo a legalização de uma delas, cujos defensores (inclusive FHC) afirmam ter efeitos muito menos nocivos do que drogas legais, como o cigarro e o álcool. Mas não queremos entrar nessa polêmica, até porque, na prática, a grande mazela social da contemporaneidade está manifesta em outra substância, barata, acessível e espalhada em quase todas as cidades do país: o crack. O seu efeito é conhecidamente devastador, conduz seus usuários para a degradação física, psicológica e moral, os marginalizando e os convertendo em espécies de mortos-vivos. O seu consumo é uma bola de neve, ou seja, quanto mais se usa, mais se deseja usar, em uma fissura inesgotável. Ante isso, a prostituição, furtos e assaltos, são fonte de obtenção de dinheiro para que vícios sejam sustentados. E de tabela, famílias são desestruturadas, vidas destruídas, e toda uma geração de verdadeiros doentes vem sendo concebida.
Eis o ponto de partida para uma possível solução para esse problema: Viciados são doentes. E outra questão, não é prendendo meia dúzia de “traficantezinhos”, que vendem pedras a R$ 5 em qualquer lugar que as coisas mudarão. O peixe grande parece que sempre escapa na malha da polícia. Afinal de contas, os peixes pequenos não trazem a droga para os bairros, não atravessa fronteiras e nem barreiras policiais, e principalmente, não as fabricam. Mas são eles sempre os únicos punidos e presos. Mas, mesmo assim, “misteriosamente” o tráfico não cessa. Logo, há de se repensar a estratégia de combate. Cremos que seja possível um dia exterminar de vez essa prática, basta saber se isso não vai ferir interesses de muita gente, que, com certeza. Não moram na favela e nem madrugam nas esquinas escuras vendendo a destruição por apenas R$ 5. 

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