terça-feira, 18 de outubro de 2011

Editorial: dia 18 de outubro de 2011


Liberdade?
Tudo o que existe é porque houve a necessidade natural para justificar a sua criação. Isso, apesar de parecer bastante lógico, nos ajuda a compreender muitas coisas que se sucedem em nossos cotidianos. Nada acontece por acaso. Isso, sem pestanejar, aplicamos a toda e qualquer coisa. Em especial com as coisas que são obras da intervenção humana em suas sociedades. Se um dia elas foram concebidas, é porque vieram para atender uma necessidade da época. E nessa leva, incluímos tranquilamente dois segmentos, aparentemente distintos, mas que dialogam positivamente com grande constância e possuem, comprovadamente, importantes papeis nas sociedades: a polícia e a imprensa. Quem há de questionar tal fato?  Cremos que ninguém. Enquanto uma instituição cuida da segurança pública, o outro segmento é a voz da população. O histórico de colaboração entre tais é extenso, e muitas vezes os meios de comunicação foram fundamentais na elucidação de muitos crimes. Mas esse histórico de parceria nem sempre foi assim. Houve um período onde a ação da imprensa era cerceada, e só era divulgado o que fosse permitido.
Para quem não sabe, tal período foi durante a ditadura militar no país. No chamado período de chumbo da nossa história, a vida dos jornalistas não era tarefa fácil. Publicar “material indevido” era sinônimo de risco de vida, e nesse embalo, muitos morreram por denunciar as agruras antidemocráticas desse regime. E não foram poucos que foram presos, torturados e mortos, simplesmente por estarem cumprindo suas funções. Mas, graças às luzes da democracia que voltaram a iluminar os rumos desse país, as coisas mudaram. E hoje em dia, graças a Liberdade de Expressão e a Liberdade de Imprensa, os meios de comunicação possuem a liberdade necessária de denunciar, apurar, investigar, sem temer represálias. Quer dizer, teoricamente as coisas funcionam dessa forma, mas na prática, ainda há muita coisa a ser mudada.
No último domingo, em Itabuna, um jornalista teve o deu livre direito em noticiar, ameaçado por um grupo de policiais. Ele, após tirar foto de uma abordagem dos PMs, foi intimidado e recebeu ordens de que era para apagar as imagens. Como se negou, acabou sendo preso, com a justificativa de ter desacatado os policiais. Que espécie de democracia é essa em que vivemos, onde situações dessas ainda são, não só percebidas, como admitidas. Será que os policiais militares envolvidos se acham acima do bem e do mal, para quererem impedir que um jornalista exerça sua função social? Em que lei eles se basearam? Só se for a lei da ignorância e do despreparo. Coisa que deveria ser extirpada de uma instituição cuja missão seria justamente a de garantir a liberdade de expressão da população. Repudiamos ao extremo essa postura e exigimos punição exemplar para esse lamentável acontecimento. Estamos de olho.

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