terça-feira, 4 de outubro de 2011

Editorial:


Mudanças e questionamentos

Um célebre cantor baiano, certa feita nos agraciou com uma canção, onde ele afirmava preferir ser uma espécie de “metamorfose ambulante”. E ele foi além, e afirmou que sendo assim, achava infinitamente melhor do que ter “velhas opiniões formada sobre tudo”. Quem é que nunca ouviu essa pérola do nosso inesquecível Raul Santos Seixas? Cremos que essa composição, datada lá pelos idos e 1973, reside no imaginário musical de maioria dos brasileiros. E, de maneira bastante eficaz, fala de uma questão existencial que, com certeza, acomete muitas pessoas. Afinal de contas, quem é que pode afirmar que não é um ser que vive em constante mudança? Literalmente nós não somos as mesmas pessoas de 10 anos atrás, e nem seremos as mesmas daqui há 10 anos. Quer dizer, poderemos até ser as mesmas, afinal de contas ninguém mudará de nome. Mas, certamente, estamos sujeitos à ação do tempo, que na melhor das hipóteses nos deixará mais maduros, mais sábios, além de suscitar em nós, formas diferentes de perceber a realidade. Isso já seria motivo bastante para acreditarmos que ninguém de fato consegue a proeza de ser o mesmo por muito tempo. Talvez nem tanto umas metamorfoses ambulantes. Mas chegamos bem perto disso.
E na velocidade das nossas naturais mutações, o mundo e a sociedade em que vivemos também se mostram como não estáticas. Tudo está sujeito à citada ação do tempo. Em alguns casos, mui benéfica, em outros tantos, nem tão benéfica do jeito que esperamos. Mas tudo dentro da mais perfeita ordem. Nada muda de uma forma que não estava teoricamente previsto. Quer dizer, nem tudo. Caso resolvamos mais uma vez recorrer à paralelos analíticos com a política, muito provavelmente teremos que rever alguns dos nossos conceitos. Lá as mudanças são surpreendentes e não respeitam nenhuma espécie de lógica. Aliados de hoje serão os desafetos de amanhã, e vice versa. Tudo isso ao bel prazer das disposições das peças do tabuleiro do poder. Nada é impossível.
Aqui na nossa cidade, uma surpreendente mudança de sigla vem suscitando comentários e questionamentos nas ruas e rodas de conversa. O prefeito, depois de ficar dias afastados do cargo, ver seu substituto exonerar homens do alto escalão e ter que retornar as pressas para botar ordem na casa, protagonizou a mais inesperada mudança de partido dos últimos tempos: Foi para o PT. Ante isso os ilheenses se perguntam: O que levou Newton Lima a realizar essa mudança? O quadro político local terá mudanças, visto que as eleições municipais serão ano que vem? Será uma estratégia para angariar o apoio inconteste do governador Wagner? E a mais importante pergunta: O que isso significará na prática? A nós, meros eleitores, só nos resta esperar os próximos capítulos dessa saga com requintes novelescos. Bola para frente.

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