sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Editorial: do dia 13 de janeiro de 2012

Explícitas e camufladas


E novamente ela vai figurar a temática do dia do nosso Editorial. Sim, a nefasta violência urbana, que tanto atemoriza pessoas de bem e compõe o cotidiano de outros tantos. Sim, ela vem se explicitando como algo quase que onipresente em suas variadas manifestações, desde as mais discretas até aquelas que costumam figurar os noticiários. Isso mesmo, a violência é algo deveras complexo, e não se resume ao ato de tirar a vida de alguém. De acordo com a sua definição clássica, trata-se de um comportamento que causa intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa. Ante isso, fica claro que não necessitamos necessariamente sermos antropólogos ou gabaritados sociólogos para percebermos que a tal violência é deveras sutil em nosso cotidiano. O fato de um trabalhador não usufruir de condições dignas de trabalho, e ainda ser cobrado para que renda cada vez mais, é um ato de violência. O fato de uma pessoa passar dificuldades para sobreviver e sustentar seus familiares é uma manifestação da violência, pessoas de baixa renda que sofrem com as ineficiências dos serviços públicos, também são vítimas da violência. 
Mas existem outras manifestações dela, mas é fato que a mais conhecida é a que, como citamos, costumam figurar os noticiários policiais das publicações midiáticas. E a nossa Ilhéus, infelizmente, vem a cada dia se tornando um lugar onde assassinatos, guerras de quadrilhas, assaltos e tráfico de drogas, crescem de maneira assustadora. Recentemente foi divulgado um diagnóstico sobre a violência no município que apontou que os bairros do Malhado e do Teotônio Vilela lideram uma espécie de ranking nefasto. Somente no Malhado, segundo o estudo, de 2007 à 2010 foram registrados 73 homicídios.  A respeito do Vilela, o secretário municipal de Segurança, Transporte e Transito de Ilhéus, Marcelo Barreto afirmou que o local vem apresentando melhorias sociais gradativas. Segundo ele, além de importantes projetos implantados, os investimentos na educação, e o crescimento organizado vêm contribuindo ante a problemática. Eis o X da questão.
Combater a violência, sobre o prisma de uma primeira análise, todos acreditarão que seja trabalho exclusivo da polícia. Mas não é. Enquanto fatores como incentivo à cultura, esportes, educação digna, projetos de inserção no mercado de trabalho dos jovens, dentre outros quesitos, continuarem sendo negligenciados, a violência sempre será uma espécie de válvula de escape. Afinal de contas, só para lembrar, vivemos em uma sociedade de consumo, onde as noções de status estão intrinsecamente ligadas ao “ter”. Some-se a isso a uma gradativa inversão de valores e pouca instrução, teremos os ingredientes básicos para a eclosão da violência. Isso é fato, e enquanto o problema não começar a ser combatido tomando como base essas questões, ele tenderá a se agravar. Pensemos nisso.      

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