sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Editorial






Significados e consequências


“Uma organização ou estrutura organizativa, caracterizada por regras e procedimentos explícitos e regularizados, divisão de responsabilidades e especialização do trabalho, hierarquia e relações impessoais. Em princípio, o termo pode referir-se a qualquer tipo de organização - empresas privadas, públicas, sociais, com ou sem fins lucrativos. Popularmente, o termo é também usado com sentido pejorativo, significando uma administração com muitas divisões, regras, controles e procedimentos redundantes e desnecessários ao funcionamento do sistema”. Pois bem, quem ainda não identificou do que estamos nos referindo, explicaremos. Trata-se da tal burocracia. Ela mesma. Muitos já ouviram falar, outros tantos a conhecem muito bem, outros tiram proveito de sua existência enquanto alguns sofrem na pele pela sua existência, mas nem imaginam que ela de fato exista. A esses últimos, temos o desprazer de lhes revelar que não só ela existe, viva e pulsante, como foi ardilosamente idealizada com uma nada nobre missão: Manter o mais longe possível os populares dos bastidores do poder. Complicar ao máximo as suas possíveis interferências e criar uma espécie de barreira, que, devido a impressão de se tratar de algo intransponível, acaba que afastando em definitivo as pessoas.
Vejamos, experimente chegar na recepção de uma hipotética prefeitura e comunique ao cidadão que estiver por lá que deseja falar com o prefeito. Prontamente você será informado que deverá se dirigir a determinada secretaria, para agendar um atendimento por lá. Chegando ao setor, a pessoa falará que você deverá se cadastrar, trazer todas as cópias autenticadas dos seus documentos. Feito isso ela te informará que você foi inserido em uma lista de espera e, o mais rápido possível será chamado. E nisso já se vão alguns dias. Passa um mês, dois meses e você não é chamado. Ante todas essas “facilidades”, é quase certo que 99% das pessoas já desistiram. Pronto, missão cumprida. Ponto positivo para a burocracia.  Mas, há de se ressaltar, essa é apenas uma das facetas dela. Existe outra, que não vamos afirmar que seja pior, mas é uma das que mais suscitam profundas lamentações.
É essa face nada aprazível da burocracia que faz com que muita coisa relacionada com as ações do poder público, simplesmente fique atravancada. Um bom exemplo é toda essa querela envolvendo o possível fechamento do porto de Ilhéus. Cremos que todos já devam saber que, devido a um natural assoreamento, o calado do citado terminal portuário está prestes a não mais permitir que haja qualquer espécie de operação. Para que isso seja resolvido, é necessária a chamada dragagem da areia que está tornando a área de entorno do porto, rasa demais. Mas, a tal burocracia, envolvendo o diálogo entre dois órgãos públicos, a Codeba e o Ibama, vem atrasando todo o processo. Mesmo que a economia de uma cidade esteja em xeque. Mesmo que tal impasse desafie todas as noções de bom senso que podemos ter conhecimento. E quando mais precisamos de representantes políticos de pulso forte, percebemos o silêncio e a inoperância daqueles que foram eleitos justamente para agir nessas horas. Lamentável.

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