terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ilheenses saudarão Iemanjá nessa 4ª


Nesta quarta-feira centenas de pessoas devem participar de um dos eventos populares mais tradicionais do município. Considerada por muitos como a maior manifestação pública do candomblé baiano, a Festa de Iemanjá está completando 30 anos de celebração em Ilhéus. A exemplo do que aconteceu nas últimas décadas, nativos e turistas, oriundos de diversas etnias, credos e religiões, participarão de procissão marítima na Baía do Pontal para levar oferendas à Rainha das Águas, fazendo, na oportunidade, um pedido ou agradecendo de graça alcançada. 

Com muita água de cheiro e ao som dos atabaques, as homenagens serão iniciadas a partir das 12 horas, com duas concentrações: uma no bairro Nova Brasília, em frente à Maramata, com os terreiros da zona sul, e outra na praia do Cristo, com os terreiros da zona norte. O ponto alto da festa acontece por volta das 16 horas, quando uma procissão marítima formada por dezenas de embarcações, sairá das praias do Cristo e da Maramata com destino ao alto-mar onde as oferendas serão depositadas.
O secretário municipal de Turismo, Paulo Moreira, chama atenção para o fato de que nesta quarta-feira o Porto de Ilhéus recebe mais uma vez o transatlântico Costa Serena, que deve trazer ao município cerca de 2.500 cruzeiristas. “Essa coincidência de calendário reforça a expectativa de que a Festa de Iemanjá deste ano será prestigiada por um número significativo de turistas”, espera o secretário.
TRADIÇÃO - Mantendo uma tradição que está completando 30 anos, a Festa de Iemanjá é promovida pela prefeitura, com a participação dos terreiros de Mãe Carmosina, Mãe Laura, Pai Toninho e Pai Atanagildo. “Assim como nos outros anos, com certeza, muitas flores, perfumes e espelhos estarão entre os presentes mais ofertados à Rainha as Águas. Os devotos de Iemanjá conhecem sua vaidade e, por isso não deixam esses itens faltar nos balaios”, afirma Pai Toninho. Iemanjá é proveniente de uma nação chamada Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o mesmo nome. Ela seria filha de Olokum (mar) e mãe da maioria dos orixás. Sua cor branca está associada a Oxalá. Juntos, eles teriam criado o mundo. Nas danças míticas, seus iniciados imitam o movimento das ondas, executando curiosos gestos, ora como se estivessem nadando no mar, abrindo os braços, ora levando as mãos à testa e elevando-se ao céu.
Na maioria de suas representações, Iemanjá segura um leque de metal e um espelho. A Rainha das Águas possui diversos nomes referentes à diversidade e às profundidades dos trechos do rio “Yemoja”. Para os adeptos do candomblé, Iemanjá simboliza a criação efetivada. O seu leque, chamado abebê, tem em seu centro um recorte, onde surge o desenho de uma sereia. Em outros modelos do apetrecho, constam a lua e a estrela. Complacente, é responsável pela pescaria farta, além da vida com abundância de alimentos. Ela não lembra a volúpia das sereias ou a lara  indígena, mas é representada e cultuada com muito respeito, pois é a “mãe da criação”.

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